terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Tempo


O tempo, este tempo de ausência,
Deixa o meu espírito amarfanhado.
Caixa-de-ressonância da distância
De um estar prestes a ficar desfigurado.

.O sentimento passeia decorado pelo aluimento
de um sorriso ausente que a presente querer parecer.
Fonidoscópio de mais um acrescento…
Em jejum de presença e afeição, nego o que sinto e até o ser.

A distância sempre foi o Prólogo,
desta situação, da ausência, deste conto…
Onde um dia colocaremos um ponto.
E será um dia destes o nosso epílogo...
Deste conto onde colocaremos um ponto.

Quando tento criar um espaço comum… É tangível o confronto.
Inventas uma presença, uma relação
Sem nunca chegares a inventar um espaço com outra estrutura…
Outra estrutura sem a ausência, que provoca fruição.

Ofertas-me um doce numa distante brandura,
Onde nem perscrutas o que digo, onde nem queres saber do que conto.
Do que faço, do que não faço…Do que sinto.
E eu vou permitindo que este seja o nosso seguimento.

Concluo separar-nos essa distância
a intrometer-se cruelmente entre nós.
Estendo o braço e atinjo ausência
Estendo o braço e atinjo abstinência.
Não te permites hesitação, falas dos prós.
Engalanado, inventas presença para nós.

Só aquilo que não me dizes me turva o espírito.
O que pensas e não tens como vocalizar.
Esta distância germinou no infinito
E todos os dias se continua a agigantar.

Não consigo ser como tu, entusiasta.
Não existe já nada que me anime.
Mesmo que tudo o que nos afasta
ainda assim nos aproxime…

Amor, ternura, presença, toque, loucura e paixão…
Inventas protótipos de empatias. Tudo em vão.
O que teria para te dizer, tu não o queres ouvir.
Hesito entre afastar-me ou ficar a assistir.
Nunca terei as tuas valentias.
Sei que no meu lugar enfrentar-me-ias.

Temos pensamentos diluídos entre nós.
Mostro-te comovida a minha alma,
E tu contrapões com a distância da tua palma
Enquanto hoje desvio a vista para a foz
Provo o teu sumo feito de esperança
e a totalidade restante, a superfície
que enrolas de forma prazenteira na ausência da minha trança.

Be A. - Isabel M.P.F.

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