Hoje… Hoje passo a ferro com um afago com mais vigor ainda todos os teus vincos, esses que nestes últimos tempos foste acumulando. Enquanto redobro o carinho, vou relembrando que não te falta mérito no teu espírito e que todas essas perturbações irão passar.
Quero que saibas que não sou adepta da totalidade de dogmas, aliás se fosse dada a utopias escreveria que não pratico mentalmente nenhum dogma, mas isso seria enganar-te e tentar enganar-me. Não preciso de o fazer.
Sim, pratico algumas verdades absolutas, uma delas é a certeza que a esperança acaba sempre por reaparecer. Outra é que por maior que seja o acidente e por mais marcas que deixe a nossa resiliência acaba sempre por os superar.
Alegra-me que comeces por fim a tentar despir esse suplício que não tem nenhuma serventia para ti e que te abafa os sentidos e a vontade. Pode ser que desta vez, consigas ver o quanto de resplandecente existe ao teu redor e no teu espírito, mesmo quando atravessas momentos negativos, mesmo quando te submetes e te ofereces e oferecem, em sacrifício.
Não vamos dar hoje nomes vulgares com profusão a tudo o que de complicado tens passado, a tudo o que tem provocado esses teus tremores de essência. Não. Hoje eu escolho que vou vociferar:
-- Tenho terror mórbido a tudo o que pode provocar coerção no meu universo.A tudo o que pode lesar e provocar-me dano.
Podes escolher ficar em silêncio, gritares ou simplesmente ficares a ver, existe mais algumas opções e todas são viáveis, só tens de escolher a que é mais apropriada para ti. (Digo-te já que estas palavras em voz alta soam um pouco estranhas, no entanto se tenho necessidade de as dizer, quem me pode impedir além de mim mesma?)
Não existo para posar para os outros, aliás palpita-me que deve ser terrível passar horas imóvel, se tiver que ser o modelo de alguém escolho ser o meu próprio. Os outros vão sempre pintar-te, a escolha das cores com que o fazem isso não podes controlar, mas se resolveres posar que seja par te pintares a ti mesma e sejas tu a usar o pincel nos teus quadros. Acredito que no meio das pinturas que faças ,apareça o que de abundante existe em ti e que teimas em não ver. Verás que nas tuas pinturas existe um equilíbrio que se manterá mesmo nos momentos mais alvoraçados. (Se eu em vez de ser tua mãe, ou melhor ainda, se além disso fosse Einsteiniano, devia conseguir desenvolver uma teoria que explicasse estes momentos, mas não sou. Por isso esquece a parte das teorias! Não as tenho, assim como não tenho crispação para te ofertar. No entanto sentimentos esses não me faltam e estão sempre presentes.)
Um dia destes peço-te que enxotes comigo todas as anátemas que te rodeiam e que são inconfessáveis. Mas se o fizer será quando sentires o aroma intensificado de novas fragrâncias no ar, porque hoje só tenho a pretensão de ver um sorriso vernar na tua essência.
Vou colher brincos-de-princesa para te ofertar, enquanto isso passo a mão na rosa-dos-ventos invisível que tens gravada na pele. Se novamente acontecer sentires que estás perdida podes tactear na tua pele e descobrirás todos os pontos cardeais. Não acreditas? Pois afirmo, que além de estarem na tua pele, também estão tacteados no teu espírito. (Mais um dogma! Se o tiver de o explicar então a afirmação deve-se a ter acompanhado o teu crescimento. - O que disse foi uma conclusão verídica e já verificável anteriormente.) Mesmo que os ventos mudem, mesmo assim tens traços já em ti que não permitirão que fiques perdida por muito tempo, nem que sintas desamparo. Mesmo que os obstáculos se multipliquem, mesmo que por vezes pareças estar perante um ninho de vespas, mesmo assim terás clareza para te conseguir guiar até outro caminho.
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