quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Mais ou menos isto

Tudo em meu redor se começa a decompor.
O que outrora era delicado,por estar disfarçado,
agora não passa de deslouvor.
Já não passa de saudade!
Já em mim não existem ânsias de a deslindar.
Há pouco larguei este andor.
Olho em redor, tudo me soa semelhante.
Recuso-me a avançar.
“Avante, avante!”Papagueia a minha voz dormente
enquanto o espírito não o consente.
Se não és mais que o além.Se hoje não és mais que isto…
Nunca o que havia previsto.
Não passas de mais uma miragem.
Um tormento meu sem bafagem!
Cheguei a este alcandor onde me alheio a levitar.
Tanto bolor, tanto ao nosso redor.
Sigo agora a balbuciar...
O trilho que traçamos, tornou-me nisto.
Mais ou menos anacoreta.
 Mais ou menos isto.
Mais ou menos encoberta...
O que trilho que traçamos, tornou-nos nisto...
Mais ou menos coisa alguma de nada!
Continuamente iludida...Continuamente na órbita…
A preferir ser mais ou menos eremita.
Mais ou menos coisa alguma de nada.
Antes de alguém me esmechar, algures já estive abrasada.
Já construí pontes do nada.Já tive mérito por abandalhar.
Já fui zagal da minha biografia. Já vivi na redundância…
Já me arquitectei. Já tive de me açaimar.
Algures já fui dissemelhante.
Trauteava desde óperas a baladas.
Já tive o toque de Midas
.Já me chamaram abundante.
Já fui Afrodite antes de ser Medusa.
Já desabrochei sem ter como o fazer.
Já vivi num paço antes de me tornar obtusa.
Já latejou em mim o ser.
Algures, onde retirei a máscara à dor.
 Onde o fiz sem pudor.
Algures fui assim e ainda mais do que assim.
Algures… Algures neste confim.
O trilho traçado tornou-me nisto.
Mais ou menos anacoreta. 
Mais ou menos isto.Mais ou menos encoberta...
O que trilho que traçaste, tornou-nos nisto...
Mais ou menos coisa alguma de nada.
Continuamente subjugada.
Continuamente por ti preocupada.
Conquistei este estar nunca planeado.
O trilho que traçaste, e tracei, tornou-me nisto...
Este ser atroçoado. Ressequido. Mirrado.
Espírito repatriado. Desvinculado!
Foi nisto que nos tornaste. Foi nisto que me tornei.
Estou esvaziada.Completamente alabregada
.O que pensas? Já nem sei.
Para ti não passo de objecto pelúcido...
O meu ser é agora translúcido!
Só quando te tirei a máscara,
o vestígio do que foste para mim... me ampara.
Nem já comungo a vontade de me alçar e de em algures me procurar.
Algures… Fica também aqui no alcandor.
Onde habito agora para sempre empedernecida,mumificada,
rodeada de papelada.
 Sem animação! 
Sem ter como me opor. - A tanta saudade.
A construir menos que nada.
Aqui no alcandor… onde me visto
.Algures… Algures numa aragem incerta.
O trilho que tracei e traçamos... tornou-me nisto.
Mais ou menos anacoreta. Mais ou menos coisa alguma de nada.
Continuamente contigo preocupada.
O trilho que traçaste, tornou-nos nisto...
Algures, algures… Coisa alguma de nada.

Be A. - Isabel M.P.F.

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