Be A. - Isabel M. P. F.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Depois II
...Depois, descubro que por vezes faço-te ter frio. Que subo vezes demais na montanha e depois já nem sei se a montanha sou eu, se sou eu a querer ser algo que me proteja. Mas hoje, olha, estou a descer desta montanha, que acredito fazer parte de mim, mas nunca será a minha totalidade. Vou visitar o teu vale, que nunca esqueço. (Mas tenho ravinas e por vezes fico presa nelas.) Depois da conversa do outro dia onde quase me pareceu que me acusavas de te ter desarreigado, ao deixar Coimbra, eu comecei por recorrer a uma desculpa. - Deixei Coimbra, porque...Porque... Tu sabes as desculpas que dei a mim mesma... Uma delas que tenho de dar-te espaço. Outra que tenho de respeitar o teu espaço. Outra; Que sei que és sui generis, (E és, miúda, e és.), mas que raio terá isso a ver com a minha saída dessa terra? "- Nada, Mãe!" - Dirias tu já a olhar-me de soslaio. - Deixei Coimbra, não por tua causa, mas isto é redundante, pois sei que sabes que assim é, mas porque necessitava mudar de cidade. Um local pode sufocar-nos. Ter demasiadas memórias, ter um ambiente que nos consome e eu ao contrário de ti, meu amor, nem sempre fico e enfrento. - Ei! Mas atenta nunca te disse que era perfeita, antes pelo contrário desde petiz te tenho dito que sou imperfeita. Aliás se fosse perfeita, nunca teria acontecido uma conversa como aquela do fim-de-semana. Talvez o que me tenhas tentado transmitir é que sentiste desamparo, quando eu considerei que sempre estive para ti, mesmo não estando a viver na mesma cidade. Mostraste a tua artilharia e eu, resolvi apresentar-te a minha. Uma artilharia pesada de artifícios, que só serve para que ninguém se aproxime de mim o suficiente, que depois de a usar sempre me parece ser algo carnavalesco que uso para driblar quem me assusta, ou quando receio enfrentar algo que preferia não ter de encarar. Com as minhas crias, foram raras as vezes em que resolvi afundar e afundar-vos numa conversa mais....Digamos mais acalorada. Quando se enervam eu mantenho-nos à tona e jamais em tempo algum, aproximo a língua dos dentes e regurgito uma conversa estéril, até ... Que foi exactamente o que fiz no fim-de-semana passado. (Isto soa-me a título de filme!) Agi como uma primata e embora tenhas escutado desde petiz que as desculpas não se pedem evitam-se. (Eu comecei a frase com, agi...Rectifico já!!! Eu sou primata! As desculpas pedem-se, até porque neste caso, não as consegui evitar. Agora quero que saibas que entre ser primata ou insecto, eu cá escolho o segundo e passas a ser parte da família dos Grilídeos, até porque no que diz respeito às pessoas que amo a minha melodia costuma ser: - Gri Gri...Desculpa, por ter sido uma alarve e ter dito o que disse. (Se és parecida com alguém...É comigo, sua...Sua Montanha!)...Gri Gri...Alto!!! Embora a bem da verdade acredito que sejas semelhante a ti mesma e que existam traços na tua personalidade que sejam similares aos meus, o que é perfeitamente natural, sendo eu a tua educadora.
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