Na irrepresentabilidade artística
antecipo as lágrimas.
A realidade impõe-se plástica.
Verto-me num papel.
Coberta de lástimas.
Olimpiana presa a um cordel.
Nesta dimensão choramingo.
Raivosamente digo e desdigo.
Choro com a bravura da subjectividade,
Proposição analítica da minha identidade.
No real adopto a impessoalidade.
Finjo que nada me pode lacerar.
Reproduzo-me em conversas.
Alguém as quis encetar.
Processo cirúrgico com pinças
entre mim real e mim surreal.
O drama interior é um total
ausente de outro espaço que não este.
O enclave da escrita
onde o meu ser se reveste.
Novelo oculto de uma eremita.
Repouso num escrito com autenticidade.
Comunico com toda a humanidade
dramas reconhecidos como meus,
mas também reclamados por fariseus.
Os meus dramas,
mesmo que dramas diferentes,
na essência continuam a ser dramas.
Dramas reais com as minhas patentes.
Escritos da minha essência desassossegada.
O pensamento a chocalhar-me aos ouvidos.
No interior deste desértico glaciar, estirada
faço o inventário do que penso e observo.
A espessura do frio penetra aparentes despercebidos,
mostrando-me como penso, no meu acervo.
Be A.- Isabel M.P.F.
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