Fizeste incursões na despedida ao longo destas semanas, mas uns
tentáculos que desconheço iam puxando-te de volta. Ias sofrendo
frémitos e eu via-te estremecer.
Queres acabar com um sentimento que chegou e só te provocou essa
tristeza que até para ti é incompreensível. A desilusão engasgou-te de
tal forma que agora temes voltar a falar. Não estás belfa, meu amor.
Não sabes ainda mas o nosso espírito trata a resiliência por tu.
Perdeste a cadência e descobriste a decadência de uma relação que gostarias
que fosse diferente. Vi-te petrificada nessa pausa irrespirável...
Recalcaste o mesmo pensamento dias a fio, mas agora, por fim, já
existe em ti uma tentativa desesperada de desprender-te. Já se nota a
vontade que tens de não voltar a agonizar. Um novo fôlego chegará,
quando conseguires repousar as tuas dores.
Convido-te agora para uma valsa. Anda, vamos bailar algures entre o
que escreves e o que escrevo, entre o que pensas e o que penso,
enquanto rodopiamos, aguardo que floresça no teu espírito o
entendimento do que sentiste. Uma candeia que ainda não descobriste
possuir está agora a iluminar esse momento doloroso que estás a passar
e não voltarás a estar no breu.
Anda, baila comigo. Continuemos a dançar até chegarmos ao recôndito
onde ainda consegues saborear o teu valor ilimitado e onde não sentes
receio de te teres tornado belfa por teres tido um desgosto. Não tens
motivos para sentir vertigens, a tua convicção em quem eras, em quem
és, nunca te abandonou.
Anda, meu amor, baila comigo.
Be A. - Isabel M.P.F.
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