Tenho sido insensata.
Tenho passado a vida a tratar
a felicidade como concreta
e não como abstracta.
Um estar que me arrebata.
Significância a desfrutar.
Coloquei uma etiqueta
na minha existência compacta.
Quando inscrevi a alegria
nesta superfície nívea
julguei que duraria.
Coloquei-a na gávea.
Resguardada da tirania
que o amanhã me oferte.
Tenho na mão este passaporte.
Hesito entre ir para sul ou norte.
O insepulto tirânico azar
fez questão de me visitar.
Nem cinco minutos passaram
e da felicidade já me usurparam.
Fico apeada.
A felicidade foi raptada
ou partiu sem ser detectada.
Nem sul, centro ou norte
O meu contentamento fez um recorte.
entrou num qualquer transporte.
Já não há nada que me conforte.
Fico na periferia sombria
deste escrito-memória
demolida sem transporte
Be A.- Isabel M.P.F.
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