quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Malmequer

O amor acasalado com a paixão estirou as suas asas
Sobre a chama ténue onde se aninhava
avivando-lhe a brasas.
Incendiando-a num desejo inteiro onde se entregava.
Em cada rescaldo ela descobria a solidão.
Em cada rescaldo ela descobria que estava só no meio da escuridão.
Nas cinzas que ainda ao seu redor se agitavam.
No píncaro do desejo. No píncaro do amor.
No píncaro da solidão. No píncaro dos dias sem cor,
daquilo que ele queria. Daquilo que agora ambos aceitavam.
No píncaro da saudade que ali habita
existe ainda uma moita que se agita
existe ainda ali uma moita que acredita,
que para ser diferente bastava ele querer.
Bastava ele querer saber…
daquela floresta vaga e áspera.

Depois do rescaldo a raiz da hera
Descobre-se a crescer e a diluir
na certeza de que não lhe basta deixar-se ir..
Que nunca lhe irá bastar…
Descobre que não lhe basta amar.
Descobre que é a ele que lhe falta sentir…
Descobre que ele a ela não a sabe querer,
Enquanto desfolha um malmequer.

Be A - Isabel M.P.F.

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