segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Nesta linha

Desde que doutra postura tomaste posse
não mais consegui tocar-te.
Ambicionei que o tempo retorcesse…
Até ao segundo onde quis embalar-te.
Até ao segundo onde quis imaginar que me amavas,
Que o farias com toda a tua arte.
Até ao segundo onde quis estar onde estavas,
Quando nem de mim gostavas.
.Ah… Se fosse factível emendar o que nos tinha tornado
em seres tão longínquos do que já idealizei. Do que já fomos.
A esperança, o sentimento quase por mim santificado
agora alterado pela mágoa para algo não identificado.
Onde erraste? Onde errei? Onde é que me tornei neste ser
Que segue agora em frente rodeada de um gradeamento?
O meu único amor agora é um escrito do afastamento
num sopro de desilusão onde me deito a convalescer.
Colocaste na forja mais um coque
enquanto eu nem me atrevi a oscular-te a face.
Retiraste-te, retirei-me, mais uma vez sem um toque.
Este era o nosso único possível desenlace.
Continuo extinguida. Em estado de choque.
Estancada na tua evasão.
Dei-te todo o espaço.
Quis pedir-te perdão.
(Mas nunca o fiz, nem o faço.)
Nada do que fiz merece censura ou brusquidão.
Não tiveste consciência do mal que me fazias
Ao afirmares que me amavas.
Não tive consciência do mal que te fazia.
Quando com sofreguidão aspirava
e aspiro para dar voz às sílabas
da quimera desta madrugada.
Não tive consciência do mal que te fazia…
A forma como agi, se foi errada,
e que tanto te deixou desapontado…
O não saberes amares.
Deixou o meu universo embaciado!
Na tua verdade descobri-me integralmente vazia.
No reconhecimento do que afirmaste.
E que bem que amenizas a tua realidade.
E eu que só desejo a tua felicidade
E tu que nem me permites falar.
E que bem que eu sei calar.
Ambicionei que o tempo retorcesse…
Até ao segundo onde não quis vociferar:
-Nunca mas nunca me amaste!
- Nem sequer de mim gostaste.
- Nem imaginas o que é gostar.
Até ao segundo onde quis embalar-te.
Até ao momento onde quis tocar-te.
Tudo o que fui e sou, ou tudo que fiz e faço
pareceu merecer a tua desconsideração.
Procuro uma identificação
Que não me torne neste fracasso.
Amor foi o teu pseudónimo
de uma obra nunca publicada,
da mulher que por ti não foi amada.
O que senti foi solo onde te podias semear.
Onde dei por mim a desejar sempre tactear
nem que fosse ao de leve o teu íntimo.
Convivermos numa absoluta estabilidade.
O que quis? Um amor inteiro diferente de zero.
O que quis? Sentimento com dom da ubiquidade
Harmonioso, auspicioso e sincero.
Onde tantas vezes dei por mim a ambicionar modificar
Nem que fosse um ponto ou uma vírgula
que nos ofertasse outro presente.
E falhei redondamente.
Agora sigo eternamente nesta linha
Onde não tenho portas, nem janelas ou uma campainha
E onde não existe como falhar novamente.
Agora sigo nesta linha
Onde aceito que estou sozinha.

Be A. Isabel M.P.F.

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