sexta-feira, 31 de julho de 2015

Duplicado

Eu sou a que por vezes se armadilha.
Eu sou por vezes a vítima do receio…
A que nunca teme o princípio mas o meio.
A viver dentro da sua própria bastilha...
Que fica alhures na minha ilha.
A que no fundo só deseja para sempre ali continuar.
A que prefere minguar  a arriscar.
Por isto, na minha vida, o receio tem ocupado o epicentro ,
de toda a minha totalidade.
Quando chega… – Coloco uma e outra máscara.
Visto a minha armadura …
Visto-a em duplicado!
Passo a estar de forma escura e nunca clara!
Cumpro galhardamente, o que de mim não era esperado.
Enquanto me armadilho outros ao meu redor criam uma teia.
Só quando começo a perspectivar é que o receio consigo poisar.
Arranco-o com um safanão e poiso-o na areia!
Olho aquela imensurabilidade e tudo me parece sensacional…
Sem máscaras ou armaduras, entrego-me ao amor incondicional.
Deste amor não tenho qualquer receio.
Nunca me provoca o sentimento de copo vazio mas sim de cheio!
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E descubro que vivo nas ameias porque ali nada me parece feio.
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E vejo-o ser tragado pelas ondas cálidas.
Contrariamente àquele ondular…
Na minha vida não existem voltas - só idas.
Sorrio com a realidade da impossibilidade,
da maré mais uma vez atingir o auge
E chegar à minha cidade.


Isabel M.P.F - Bea

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