Sim sou descomedida
em tanto esmero!
Sim sou descomedida com o que espero!
Neste sortimento de lapsos
ninguém supõe que
sinto e penso.
E nenhum pensamento é imenso!
Sou comedida mas só nos passos!
Volvo-me na latrina do olhar alheio.
E todo o meu ser lateja
Por algo cheio e não meio!
Entro na minha igreja
E começo a fazer riscas com os riscos que me fazem.
Tornando-me a censora do meu interior perante a censura.
Desejo-vos o patíbulo quando me desejam a clausura!
Entro numa lengalenga qualquer
e digo que tal como antes de ser o que sou,
fui o que era. - Sei
lá para onde vou!
Sei que antes de ser piolho já fui lêndea!
Solto primeiro uma e depois a outra rédea!
E começo uma nova lengalenga
desta feita com o
bacilo de Hansen
e cai-me a beiça, os
dedos e a paciência.
Comprovam a minha inocência
e eu testemunho a
vossa ignorância!
Que sacrilégio o meu. - Latejo por algo distinto.
Sim já fui comedida neste recinto!
Sim já fui comedida com o que sinto!

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