segunda-feira, 20 de julho de 2015

(Des)Comedida

Sim sou  descomedida em tanto esmero!
Sim sou descomedida com o que espero!
Neste sortimento de lapsos
 ninguém supõe que sinto e penso.
E nenhum pensamento é imenso!
Sou comedida mas só nos passos!
Volvo-me na latrina do olhar alheio.
E todo o meu ser lateja
Por algo cheio e não meio!
Entro na minha igreja
E começo a fazer riscas com os riscos que me fazem.
Tornando-me a censora do meu interior perante a censura.

Desejo-vos o patíbulo quando me desejam a clausura!
Entro numa lengalenga qualquer
e digo que tal como antes de ser o que sou,
fui o que era. -  Sei lá para onde vou!
Sei que antes de ser piolho já fui lêndea!
Solto primeiro uma e depois a outra rédea!
E começo uma nova lengalenga
 desta feita com o bacilo de Hansen
 e cai-me a beiça, os dedos e a paciência.
Comprovam a minha inocência
 e eu testemunho a vossa ignorância!
Que sacrilégio o meu. - Latejo por algo distinto.
Sim já fui comedida neste recinto!

Sim já fui comedida com o que sinto!




Isabel M.P.F- BeA








Sem comentários:

Enviar um comentário