sexta-feira, 31 de julho de 2015

Gosto

Gosto dos teus pensamentos mundificados, espirituosos e graciosos.
Gosto quando começas a fazer desenhos minuciosos,
que me permitem entender perfeitamente, desde o que te irrita
ao que te apraz ou te glorifica!
Gosto quando te ris, quando afirmo que um dia serei ermita.
Gosto da consciência de homogeneidade e da paridade do eu.
Gosto que desvalorizes a minha incapacidade de exteriorizar afectos.
Gosto da tua frente e verso!
Gosto de vagamundear contigo pelo universo.
Gosto de ti como gosto do sol, da chuva, da brisa e do vento.
E que nunca faças questão de reparar no meu constrangimento.
Gosto de contigo transcender a efemeridade,
Mesmo que nunca deixes uma palavra para a posterioridade…
O carinho que por ti sinto será eterno!
E prevalecerá para além deste espaço ou do meu caderno…


Isabel M.P.F - Bea

Duplicado

Eu sou a que por vezes se armadilha.
Eu sou por vezes a vítima do receio…
A que nunca teme o princípio mas o meio.
A viver dentro da sua própria bastilha...
Que fica alhures na minha ilha.
A que no fundo só deseja para sempre ali continuar.
A que prefere minguar  a arriscar.
Por isto, na minha vida, o receio tem ocupado o epicentro ,
de toda a minha totalidade.
Quando chega… – Coloco uma e outra máscara.
Visto a minha armadura …
Visto-a em duplicado!
Passo a estar de forma escura e nunca clara!
Cumpro galhardamente, o que de mim não era esperado.
Enquanto me armadilho outros ao meu redor criam uma teia.
Só quando começo a perspectivar é que o receio consigo poisar.
Arranco-o com um safanão e poiso-o na areia!
Olho aquela imensurabilidade e tudo me parece sensacional…
Sem máscaras ou armaduras, entrego-me ao amor incondicional.
Deste amor não tenho qualquer receio.
Nunca me provoca o sentimento de copo vazio mas sim de cheio!
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E descubro que vivo nas ameias porque ali nada me parece feio.
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E vejo-o ser tragado pelas ondas cálidas.
Contrariamente àquele ondular…
Na minha vida não existem voltas - só idas.
Sorrio com a realidade da impossibilidade,
da maré mais uma vez atingir o auge
E chegar à minha cidade.


Isabel M.P.F - Bea

Areia


Eu sou a que por vezes se armadilha.
Eu sou por vezes a vítima do receio…
A que nunca teme o princípio mas o meio.
A viver dentro da sua própria bastilha...
Que fica alhures na minha ilha.
A que no fundo só deseja para sempre ali continuar.
A que prefere minguar  a arriscar.
Por isto, na minha vida, o receio tem ocupado o epicentro ,
de toda a minha totalidade.
Quando chega… – Coloco uma e outra máscara.
Visto a minha armadura …
Visto-a em duplicado!
Passo a estar de forma escura e nunca clara!
Cumpro galhardamente, o que de mim não era esperado.
Enquanto me armadilho outros ao meu redor criam uma teia.
Só quando começo a perspectivar é que o receio consigo poisar.
Arranco-o com um safanão e poiso-o na areia!
Olho aquela imensurabilidade e tudo me parece sensacional…
Sem máscaras ou armaduras, entrego-me ao amor incondicional.
Deste amor não tenho qualquer receio.
Nunca me provoca o sentimento de copo vazio mas sim de cheio!
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E descubro que vivo nas ameias porque ali nada me parece feio.
Poiso o receio ao meu lado na areia…
E vejo-o ser tragado pelas ondas cálidas.
Contrariamente àquele ondular…
Na minha vida não existem voltas - só idas.
Sorrio com a realidade da impossibilidade,
da maré mais uma vez atingir o auge
E chegar à minha cidade.


Isabel M.P.F - Bea














quarta-feira, 22 de julho de 2015

Adiá-foros


Espoliei-me de toda a exterioridade - De todos os adiá-foros
que me faziam solavancar entre o que devia trajar
para ser…E o que era.  – Esqueci-me de carpir todos os meus choros!
Cambaleei uma e outra vez, entre andar desenroupada
E trajar-me….Entre inverter-me ou verter-me remendada.
Entre ser navio de alto bordo ou batel …  
Vorazmente empossada de tudo o que me sabe a fel,
masco as presenças, que a custo tolero com um quase sorriso,
daqueles que memora um esgar de tédio, que estendo a eito.
Tiro os brincos, mais um dispensável que se esparrama
em combustão de chama que avança sem referendo.
E já não sorrio, já não tenho esse preceito…
De ser ou não ser o que é esperado.
Inflama-se a vontade, estar como pretendo,
como sou, sem acessórios ou exterioridade.
Com o receio atado à minha integridade
desnudada de tudo o que esperam!
Não esperem mais nada das minhas farpelas,
Nem dos meus brincos e fios que não quero.
Muito menos das dores que me roeram!
 Eu nasci desfolhada porque é assim que devo ser,
É assim que quero estar.
Longe do que contive – Dos que me contiveram!
Fiquem com as minhas obrigações,
 com os sorrisos cúmplices e os vossos sermões.
Com os sapatos de salto que exalam
o cheiro dos pensamentos putrificados

pelos vossos olhados.



Isabel M.P.F - Bea



terça-feira, 21 de julho de 2015

Farol

Brandiram todas as minhas moléculas,
Brandiram todas as minhas partículas …
Ao exumar dos escombros,
os nossos efémeros.
Os teus vincos verticais
a intersectar os horizontais,
de caixa de Pandora
Num sorriso ora amoroso,
Ora trocista. – Ora atencioso.
Ora hieróglifo que me serviu mandrágora…
Na testa que se franze no olhar que se agita
e desconhece o que é cobiçar ser ermita.  
Com um sopro toco no farol da ventura.
Desvaneço-me toda nos lábios da doçura,
de arcanjo aonde mergulhei no paraíso.
E faço-me às ondas onde ainda retumbas
Tacteando aonde te aglomeras
Evadido-me assim das minhas catacumbas!
Tanto silencio teu se espraia em mim
Que um temporal de angústia e receio
começa a rugir de frenesim,
por a quase tudo estares alheio.
Aguardo a atenção do teu olhar sereno.
Aguardo por ti farol da ventura…
Aguardo nem que seja por um aceno.


Isabel M.P.F - BeA 



segunda-feira, 20 de julho de 2015

(Des)Comedida

Sim sou  descomedida em tanto esmero!
Sim sou descomedida com o que espero!
Neste sortimento de lapsos
 ninguém supõe que sinto e penso.
E nenhum pensamento é imenso!
Sou comedida mas só nos passos!
Volvo-me na latrina do olhar alheio.
E todo o meu ser lateja
Por algo cheio e não meio!
Entro na minha igreja
E começo a fazer riscas com os riscos que me fazem.
Tornando-me a censora do meu interior perante a censura.

Desejo-vos o patíbulo quando me desejam a clausura!
Entro numa lengalenga qualquer
e digo que tal como antes de ser o que sou,
fui o que era. -  Sei lá para onde vou!
Sei que antes de ser piolho já fui lêndea!
Solto primeiro uma e depois a outra rédea!
E começo uma nova lengalenga
 desta feita com o bacilo de Hansen
 e cai-me a beiça, os dedos e a paciência.
Comprovam a minha inocência
 e eu testemunho a vossa ignorância!
Que sacrilégio o meu. - Latejo por algo distinto.
Sim já fui comedida neste recinto!

Sim já fui comedida com o que sinto!




Isabel M.P.F- BeA








quinta-feira, 16 de julho de 2015

Mácula!


 Encarquilho-me em cogitações
Roço o firmamento das conclusões
com o que penso ser integridade de carácter,
 nem que seja ao de leve, toco no céu!
Nem que seja ao de leve,
Tinjo o meu apogeu!
Dou por mim a adoidar!
Idealizo como seria fazer uma greve.
Idealizo como seria não ter que lidar
 com aquilo que cogitam e sinto-me no paraíso.
No outro segundo descubro que estou no tártaro,
descubro que tenho hastes no meu aro,
sinto-os já desenvoltos e judiciosos
pintados na minha cabeça. A cabeça pesa-me.
Fico a magicar quem terão sido os odiosos
 que me alinhavaram  um acréscimo.
Tudo se começa a enturvar…
 Debruço-me sobre o lago que está aos meus pés.
E mil fogueiras em mim despertam neste lusco-fusco.
 Dou um passo e quedo-me a observar.
Fiquei com um aspecto patusco
com estes tentáculos que se encolhem..
A face está húmida - Aquele lago é meu?
Estive a chorar sem sentir. – Rodeada de breu!
Olho para o céu, quero lá chegar!
 Resolvo que não mereço o inferno,
que não mereço este breu .
Não é aí que me quero aconchegar
Ensaio um salto. Ensaio outro e por fim os chifres tocam no céu.
Já sílaba a pairar no paraíso aceno com um sorriso.
 Atiram uma corda de quem concorda que vá,
 mas pelo sim pelo não, prendem-me à volta do peito um friso.
Aceito o cativeiro, visto-me de navalha fechada à espera de se abrir
 e junto-me a eles. A minha loquela é esta. É todo meu o prejuízo.
Sorrio com a ideia disparatada que me ocorreu.


Se nem existissem tudo o que cogito não teria razão de ser.




Isabel M.P.F. - BeA

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Nos meus sonhos




Nos meus sonhos já adormentámos em frente a uma lareira.
Já regamboleamos ao som de uma balada sem eira por ti entoada.
Já despertamos juntos e eu estava aquecida e não gelada.

Nos meus sonhos eu nunca ocupava espaço e cabia na tua algibeira.
Nos meus sonhos não existe chegada, nem ida.
Tu não vives em Africa. E eu não vivo na Antárctida
e eu nunca desperto sozinha e abatida.

Nos meus sonhos não és uma coisa abstracta e distante
E eu não sou uma coisa inexacta e tu não tens sempre um a desculpa mirabolante.
Nos meus sonhos tu és uma presença palpitante e constante.
Nos meus sonhos tudo é diferente. Tu és romântico e enamorado.
Queres realmente saber.- E estás a mim agasalhado.

Vives só e exclusivamente nos meus sonhos. Só aí é que existes.
Só aí é que somos ambos radiantes e eu não tenho sonhos irrealizáveis e tristes.
Aí és o que sonhei que serias. Mas só aí. Nesta realidade não existes.

Vives nos meus sonhos tal como deves viver nos sonhos da Maria, da Sofia, da Andreia
Vives nos sonhos de uma qualquer princesa e até plebeia.
Nos meus sonhos estás tão próximo que nem preciso esticar a mão para te tactear.


Nos meus sonhos não existe vendaval que te impeça de chegar.
E aqui e só aqui, os nossos espíritos podem almoçar, jantar e até cear
E aqui e só aqui não precisamos arranjar tempo. Não preciso de te inventar.
E aqui e só aqui, não apago a fogueira e afasto-me desalentada.
Só aqui tu és assim e existes. Só aqui é que sou amada.
Desperto ainda desnorteada.

Nos meus sonhos sou estupidamente enganada.

Isabel M.P.F - BeA

Desavindo


Daqui este momento parece infindo…
Só a saudade prevalece! - Tudo o mais é desavindo!
Tal não é a minha facticidade…
Que a história da minha vida resume-se,
a duas cadeiras vácuas em ascese.
Tal não é a minha facticidade…
Que ninguém pode entender a minha saudade.
 Que ninguém pode entender o que senti - Ou sinto,
nem entender porque estremeço ao memorar-me da dor.
Muito menos podem compreender o meu temor.
E nada partilho. – E sim omito e até minto!
 E nem torno conversa nada do que penso ou pensei.
Nem quando insistem e questionam sobre o que me cativa...
O que me cativou. – Ou o que cativei!
Falo-vos com enfado – Desvalorizo até a dor.
Nunca torno conversa nada daquilo que me mortifica.
De como dói recear um dissabor …
Do que foi e do que ficou – E fica.
E penso em sorrir - Quando escuto que tudo é transitório.
Daqui este momento parece infindo…
Só a saudade prevalece! - Tudo o mais é desavindo!




Isabel M.P.F - BeA





quarta-feira, 8 de julho de 2015

Exiguidade - I


Na parte mais elevada do meu aldeamento,
emouqueço o momento,
estendendo-me ao comprido
entre o auditório e o absentismo…
Sitio-me por este movimento,
no esteiro de estar sem alarido.
Dou o braço ao altruísmo.
O entorpecimento infesta todo o meu ser.
Sou a invernia desvestida do estio.
Sou a primavera que nunca há-de nascer…
Atolada neste correntio,
penitencio-me para longe da felicidade.
Para sempre apartada do sentir - Alheio-me na futilidade.
Aonde não argumento ou contra argumento a minha exiguidade
A obrigação de me forçar, amputa o que sinto…
Fazendo-me enfrentar a realidade do que não posso batalhar.
Chegou empáfio o silêncio e avança por mim adentro…
Avança até tudo o que sinto e pensei esteja extinto
e só o remanso seja o meu epicentro.


Isabel M.P.F- BeA




Sem esperas

Entro num dos meus túneis
delineio trilhos débeis,
com a ponta dos dedos.
Traços descoloridos,
a contornar ilusões e rochedos .
Traços que nunca quis atrevidos.
Tracejo um caminho sem esperas.
E solto aí mil esferas …
Todas elas já foram verdes ou azuis.
Esferas do que já quis…
Resvalam agora a preto e branco,  
Enquanto retorno ao meu banco.

Isabel M.P.F- BeA




terça-feira, 7 de julho de 2015

Faz-de-conta

Faz-de-conta


Nessa vida que parecia faz-de-conta,
rosca curva sem ponta
que nunca tocou o céu
onde fiz de conta que era eu.
Que era assim. Ou nem assim o era.
Onde fiz de conta, do que não era.

Hialino partido a retractar o céu
onde fui um crescendo de acordes desafinados
em ensaios e livros desossados.
Todos os meus cognomes controlados.
Onde fiz de conta que era eu.
Que era assim. Ou nem assim o era.
Onde fiz de conta do que não era.

Nessa vida que sempre me pareceu irreal
e era a única realidade que reconhecia como minha.
Candente co-herdada com a real.
Hidra que não me convence.
Tudo irreal o que tinha!
Uma realidade que agora nos pertence.

Que vamos criando diferente da anterior,
que sempre me soou irreal… E nunca foi superior.
O meu número composto todo ele ajaulado.
E era a única realidade que tinha experimentado.

Diferente do real que agora vivemos.
Nessa vida que parecia faz-de-conta.
Rosca curva sem ponta!
Onde fiz de conta que era eu.
Que era assim. Ou nem assim o era.
Onde fiz de conta, do que não era.

Não vos quero numa vida faz-de-conta.
Quero-vos nesta realidade instantânea.             
Nesta que todas vamos esgravatando,
mesmo que não passe de uma miscelânea.

Entre a utopia que incendeiam e a que criam
e aquilo que vamos conseguindo amealhar
para subsistir. Para estar e aquela onde nos queriam.
Os monopolistas nunca se chegam a dissipar.


Não consigo sequer conceber esta realidade
que agora reconheço como minha.
- Foi dali que provim.
E acreditei que me convinha…
Seja a vossa presença apartada de mim.
A minha genuinidade repleta de fragilidade.
Recuso-me a não-existir!
A tal consentir.

Nessa vida faz-de-conta
onde fiz de conta que era eu.
Que era assim. Ou nem assim o era.
Onde fiz de conta, do que não era.
Preciso ser objectiva!
Quero estar viva,
sem ter de fazer-de-conta
que sou o que não sou.
Rosca curva sem ponta,
A desconhecer para onde vamos.
Para onde vou.
Nesta realidade onde agora estamos.


Só aspiro à realidade onde estão presentes,
mas ausentes da manipulação. Conscientes.
Do faz-de-conta..
Não quero, não posso sequer imaginar
seja o irreal, ou este real,
ou a realidade faz-de-conta…
que nos venha a dominar.

Sem vós, meus amores. Sem vós, não existe
nenhum tipo de (ir)realidade. Seria abnegar…
Existir assim seria uma não-existência, um nado morto,
uma não realidade, uma não existência. Ponto!

Eu que vos presenteei com o caos. Não porque escolhi assim…
mas sim porque já ali tinha sido obrigada a afundar. Mas sim…
Onde foram obrigados a mergulhar,
numa tentativa heróica de me salvar
desta existência que sempre me pareceu a granel.

Ao meu redor tudo agridoce! – Nunca mel.
Que sempre me pareceu inverosímil. Um covil.
Onde desejo ver despontar uma saída,
Que não seja mais um ardil.

Diferente de viver constantemente
com receio de vos perder numa vida aparente.
Nestes emaranhados de faz-de-conta.
Suprimo agora a adenda desta acta.

Anseio por uma continuação,
diferente do meu passado.
Um presente e futuro de paixão
onde nada seja adaptado,
onde arranjamos espaço para ser.
Um lar que nos vá acolher.

Diferente do que foi o meu lugar.
Um espaço agora para arrendar.
Onde fiz de conta que era eu.
Que era assim. Ou nem assim o era.
Onde fiz de conta, do que não era.

Tenho-vos no meu presente…
Onde é preciso labutar aceridamente
para a calamidade não nos derrotar.


As traças sinistras roeram todos os nossos trajes.
A deterioração é já tão notória…- diferentes de antes.
Como os artifícios que arranjamos para a remendar.
Todos os golpes para nos defendermos são malogrados.
Mas, mesmo assim, estamos juntas, somos afortunadas.
Nessa vida faz-de-conta, onde já estive empregada.
Onde fiz de conta que era eu. Que era assim.- Mas não estava apeada.
Ou nem assim o era. Onde fiz de conta, do que não era.

Nesta vida que existo, estou desempregada.
Onde já sou assim ou nem assim…
Onde as únicas contas que faço são, sim,
as da multiplicação, da soma e da subtracção
(Especialmente da subtracção.)
Onde sou eu. Para trás ficou quem era assim.
Agora a que nem consegue ser empregada de balcão.




Isabel M.P.F - BeA

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ilhéu

Tenho um secadoiro de ápices que não consenti.
Lavo-os em dias como este e deixo que enxuguem ao ar.
Seguro-os com molas, para não me descurar.
Para nunca me esquecer…
Do que não escolhi – Do que não senti.
Do que não tive- do que nunca vou ter.
São um exército desalinhado a abanarem-se na corda.
Rejeitados! – Colocados na borda!
Revestida de uma concha sem reverso
Sempre a afastar-me das balbúrdias…
Sou nociva todos os meses. – Todos os dias!
Sou nociva comigo e com o que quero para mim!
Sou nociva mas como não sou comestível,
não leso ninguém quando declino o impensável.
 Atirai-me água benta enquanto faço mais um motim!
Sou retráctil no que pondero!
Deslizo pela nostalgia de um erro
 que tomo como se fosse meu
 e na minha pele aparecem rotas, caminhos,
 pontos, vírgulas e torno-me volátil.
 Deixo o cenotáfio, preciso regressar ao meu ilhéu!
Derrubo o secadoiro. – Os espíritos como o meu querem-se sozinhos.
 Entro na saliência de uma casca de uma árvore versátil
 que torno na quilha de um navio que ninguém irá ver partir.
Ao largo vejo os destroços que deixo e levo comigo.
 arremesso contra a maré o temor mórbido – deixo-me ir,
 Monto numa palavra evasiva,
 dou ambrosia ao meu espírito que mais ninguém irá conhecer
e torno-me imortal num texto que nunca ninguém conseguiu ler…
Encerro-me por fim numa cápsula ou ogiva…
Que enterro no meu ilhéu.



Isabel M.P.F.-BeA

sábado, 4 de julho de 2015

Numa raia

Brotou nesta minha fonte,
o anoitecer que saiu no horizonte!
O sol que resplandecendo se foi
a galopear numa estrela…
Que se adiantou numa raia,
de uma essência perdida e nua ,
A vanguejar a memoração pela praia…
Somente recortada pela lua.
Remanseia em luzências dissonantes…
Dos namorados e amantes ,
dos amigos e caminhantes ,
Dissipada nos fragores...
do sol que resplandecendo se foi,
numa ausência que corrói,
aquele jardim interior de flores
 e de cactos exteriores.



Isabel M.P.F - Bea