Embrulhada num distanciamento nítido,
desci o renque da mesma maneira que o podia ter subido.
Elegi o mesmo trilho,
como podia ter escolhido outro qualquer.
Qualquer dos outros caminhos me leva ao mesmo lugar.
Se tudo dependesse de ti – Não precisaria monologar.
Se tudo dependesse de ti - Não estaria só mas contigo.
Se tudo dependesse de ti -
Não serias só amigo.
Não desceria a rua, que escolho descer.
Esqueceria que já não sinto e continuaria a contigo querer
envelhecer.
Se tudo dependesse de ti, não escolheria este carreiro.
Se tudo dependesse de ti - Enfloraria em mim a vontade de voltar a
tentar
Se tudo dependesse de mim – Tu não vestirias a pele de lobo
e eu de cordeiro!
A cada passada que damos recordo-me dos liliputianos,
sinto-me tão exígua
que podia ser hoje o meu apanágio…
Tolhida no que penso. Atolada neste naufrágio.
Sustenho no ar estes
pensamentos, - Tu e os outros são Herculanos!
Tolhida no que penso.
Atolada em mim mesma.
A meio do caminho paras de me apontar como a que se esvai no
nevoeiro…
A meio da caminhada voltas a ser prazenteiro.
Enquanto continuo
silenciosamente a desmanchar as pregas,
Enquanto abro as mãos
vazias e esquivo-me das regras.
Quebro todas as
alianças que fiz e faço.
Tiro o pejo ao que não sinto e me lapidifica o ser.
Já foste tudo para mim mas agora já só és amigalhaço.
É quando ficas longânime que uma dor miudinha começa a
fluir.
Quando segredas – É contigo que quero envelhecer…
- Porquê? – Porque tinha o meu sentimento de ruir?
Isabel M.P.F - BeA
Sem comentários:
Enviar um comentário