sábado, 27 de junho de 2015

Se tudo dependesse de ti

Embrulhada num distanciamento nítido,
desci o renque da mesma maneira que o podia ter subido.
 Elegi o mesmo trilho, como podia ter escolhido outro qualquer.
Qualquer dos outros caminhos me leva ao mesmo lugar.
Se tudo dependesse de ti – Não precisaria monologar.
Se tudo dependesse de ti - Não estaria só mas contigo.
Se tudo dependesse de ti -  Não serias só amigo.
Não desceria a rua, que escolho descer.
Esqueceria que já não sinto e continuaria a contigo querer envelhecer.
Se tudo dependesse de ti, não escolheria este carreiro.
Se tudo dependesse  de ti - Enfloraria em mim a vontade de voltar a tentar
Se tudo dependesse de mim – Tu não vestirias a pele de lobo e eu de cordeiro!
A cada passada que damos recordo-me dos liliputianos,
 sinto-me tão exígua que podia ser hoje  o meu apanágio…
Tolhida no que penso. Atolada neste naufrágio.
 Sustenho no ar estes pensamentos, - Tu e os outros são Herculanos!
 Tolhida no que penso. Atolada em mim mesma.
A meio do caminho paras de me apontar como a que se esvai no nevoeiro…
A meio da caminhada voltas a ser prazenteiro.
 Enquanto continuo silenciosamente a desmanchar as pregas,
 Enquanto abro as mãos vazias e esquivo-me das regras.
 Quebro todas as alianças que fiz e faço.
Tiro o pejo ao que não sinto e me lapidifica o ser.
Já foste tudo para mim mas agora já só és amigalhaço.
É quando ficas longânime que uma dor miudinha começa a fluir.
Quando segredas – É contigo que quero envelhecer…

- Porquê? – Porque tinha o meu sentimento de ruir?

Isabel M.P.F - BeA

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