Desmancho o novelo, desfio a linha da frivolidade,
torno-me projéctil da inanidade,
Numa trajectória parabólica aonde atinja serenidade!
Olhas para mim com desaprovação.
Recomeço o trecho do fim para outro final.
Enquanto referes como já foi tudo divinal…
Pedes que me pronuncie e não te torne um borrão.
E eu penso em grunhir! Mas nunca grunho!
Como é interior acabas por nem suspeitar
que tudo o que
consegues testemunhar,
não passa sequer de um gatafunho…
Sorrio enquanto me apontas como antidogmática
racional e apodíctica,
que por vezes se torna inacessível
e não participa – Limitando-se a assistir,
isolada na sua própria nirvana.
Se soubesses quanto melancolia consigo sentir
e mesmo que saiba que não é irrevogável,
que mesmo assim nestes momentos é tão soberana,
nunca mais asseverarias com tanta convicção, nada sobre mim!
Foi também isto que ditou o nosso fim.
E sim no passado tivemos direito ao nosso funeral.
O enterro de um conhecimento unilateral…
O enterro do nosso amor.
Aonde sempre afirmaste que te conhecia melhor,
Do que te conhecias a ti mesmo…
Isabel M.P.F - BeA