sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Solipsista

Só é real o que sinto.
Só é sentido o que penso. 
Tudo o mais, hoje não existe. 
Se não penso, não sinto! 
Se não sinto, não penso nisso.
Fita-me com concupiscência tudo aquilo que não penso
A fazer acrobacias sobre aquilo que não sinto. 
Começo a contagem lenta daquilo que penso…
Proclamo de forma abrutalhada :- Só é real o que sinto! 
- Só é sentido o que penso!
É o que penso que me faz sentir. 
O que não penso não me instiga nada!
Não tivesse eu esta capacidade e não sentiria.
Seria como uma flor roçada ao de leve pela humidade.
Que não pensa! Que não sente.
Que nem sabe que está a ser tocada.
Que não sente o toque da cacimba.
Que não se apoquenta com nada.
Que só existe porque penso nela. 
Fecho os olhos e não penso.
Não , não penso em ti. Não penso em mim. 
Não penso que estás aqui, ou ali.
Não penso que isto é assim e podia ser tão diferente…
Ao não pensar não existes e eu não sinto! 
Vocifero ao vento:- Só é real o que penso!
-Só é real o que sinto!
-Só é sentido o que penso!
Não penso em ti. Nem em aqui ou ali.
Quero ser como a flor que não sente. 
Que pode ser colhida pelo meu olhar...
Ou por uma mão que ao passar a colhe
com cobiça e ela não terá consciência disso,
Quero ser como o vento, a brisa, ou um chuvisco 
que não pensam, que não sabem sentir.
Quero ser um traço,uma vírgula, ou um risco...
Ou uma flor que se esqueceu de sentir.
 Isabel Be A.

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