Olho-vos pausadamente por entre as lembranças do nosso
passado.
Olho-vos saudosamente e vejo-vos debruçadas na constelação.
Por isso estaco na entrada daquele maldito portão
de multidão
silenciosa e sepultada.
Onde está a minha mãe e irmã qual delas a mais amada.
Dizes pai que é a minha sensibilidade que me impede de
ali entrar…
E avanças pesadamente com as tuas flores que já começaram
a mirrar.
Avanças decididamente enquanto toco no portão de ferro e
o sinto gelado.
Tacteio as grades como vos tacteio em todas as estações
de barco à vela nas minhas recordações encalhado,
que não deixo deteriorar e bordei no vosso olhar por mim
amado.
Não, nunca estarão ali a descansar! Descansam nas minhas
emoções.
Descansam nos meus sentimentos. O que me deram não seca e
sim medra!
Descansam no vento que sopra entre o arvoredo que me
rodeia.
Descansam em tudo o que comigo partilharam e agora me
ladeia.
Guardo-vos no interior dos círculos de uma pedra
que resvalou sobre a água da nuvens do esquecimento
alheio.
Não entro no cemitério. Não está uma no princípio e a
outra no meio!
Não é ali que habitam. Nunca vão repousar ali… Nem acolá.
Nem vos levarei flores ou rosas, nem cravos ou alecrim.
Tudo o que sinto por cada uma nunca terá um fim.
“É altura de as deixares ir. Nenhuma delas nos dirá
novamente olá.”
Ecoa esta frase..Nenhuma de vocês me dirá nem mais uma só
vez: Olá.
“Olá filhinha, olá maninha” – Mas o que deram em mim
emana.
Cada uma de vocês habita em mim. No meu silêncio, na
minha alegria.
Na expressão sonhadora da Ta. Na alegria da Sara. No riso
dobrado da Maria!
Não, não vos deixo ir! Não, não entro naquele cemitério!
Dou-vos a mãos e levo-vos a passear à beira rio.
Isabel BeA.
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