quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A aspirar o impossível


Plantei uma utopia enlaçada
no olvido das madrugadas quentes e ávidas,
em voo destemido de ave desamada.
A desdenhar os amores colossais .
Minha alma meditativa recortada,
Do habitual. – Perdeu-se em tantos ais!
A aspirar o impossível …
A viver no meio de todos os temporais!


Isabel M.P.F- Bea

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Evado-me nesta nuvem

Aglutina-se na minha orla,
o reflexo de um rumor . 
colado  a um fogo que arde
em explosão de cores,
a resvalar pelo declive,
de uma nuvem caprichosa,
a refugiar-se do inexplicável .
  Sustida pelo céu,
evado-me nesta nuvem.
Pairo em transe humedecido,
 de flor orvalhada.


Isabel M.P.F - Bea

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Bordadas de afagos

Asas de ferro e renda,
bordadas de afagos,
herdadas ao nascer
dos meus magos.
Das sombras
em estrondo
de lamentos,
de penhas cavadas
nas meadas.
Os seus segredos
transudados ,
no ar alheado,
 que Elevo à colina,
com o vicejo das fadigas
a viajar pelo horizonte.



Isabel M.P.F - Bea

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Matei todos os meus sentidos

Dei descanso a todas as inquietações.
estraçalhando do peito a saudade.
Matei todos os meus sentidos, 
que floresciam no bosque
dos pensamentos.
A minha razão…
Revoa em jubilação, 
A orbicular nas artérias
Longe dos grilhões
Das fantasias .
Com  vigor 
Transporto a estampilha,
Para longe do lodo,
Para longe dos naufragados ,
 a similar deslumbramentos
De terra ensopada a abarrotar de lamentos,
Nas planuras de um soluço,
de estrela errante
sem constelação.


Isabel M.P.F – Bea 

Cascata de intervalos

Sitio-me numa vertigem
dum estremecimento.
a meio de uma encruzilhada
que acaba, em portas fechadas,
de alegrias que já não são esperadas,
numa folha ainda por escrever…
numa despedida de coral sem mar..
pintado num muro de cimento oco,
esvaio-me numa cascata de intervalos.
Acalentados pelo magnetismo da lua!
Vibra em mim um acorde de violino,
Numa palestra de solidão,
dedilho no ar temporais,
recorto sombras que se inflamam
 em  segredos sepultados sobre rochedos.


Isabel M.P.F - Bea

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Caem-me as estrelas


Caem-me as estrelas do céu…
Movo-me espavorida,
roçando ao as sombras já apodrecidas,
que em mim caem a cântaros.
retumbo num sussurro errante ,
a arrojar-se dos meus olhos…
Caem-me as estrelas do céu!
Um trapézio de lantejoulas  
implodiu do firmamento
o meu único astro.


Isabel M.P.F - Bea

Tumescido

Correm por mim as noites sonolentas,
carregadas de clarões
de âmbar a abrasar,
a saudade que por mim flutua,  
na silhueta que se agiganta no escuro,
ao som do teu coração
em  silêncio de lascívia
em alvoroço de estremecimentos…
Ao meu coração tumescido pelo desejo,
todo o ruído me serve de consolo.


Isabel M.P.F - Bea




!

Entressonho

Tocas-me os sentidos, como uma onda…
E começo a alar num entressonho,
de fluir sem sentir, o que por vezes é medonho.
A dimanar num sol que expira ao longe,
nas matas de um monge,
numa névoa entorpecida,
 a viver da ventosidade.
A afagar a minha obscuridade...
de longínqua ermida
a enfeitar-se com a alvura
do luar,
de coisa obscura...
a avaluar
a que altura
deve posicionar a sua armadura.


Isabel M.P.F - Bea 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A ti me entrego


Cinjo aquele rio com o olhar…
Escorre em mim o vício,
de o procurar 
só para o contemplar.
Tal como eu segue na sua rota
E jamais bate nas paredes ou portas.
Segue silencioso a esfregar-se nas pedras,
de mãos dadas com o meu olhar
Tudo ali é paz, Amor e felicidade
em etérea harmonia.
Caí-me ali a melancolia,
a tristeza e agonia…
E deixo de estar taciturna.
Comungo contigo o teu esplendor,
em casto encantamento de ternura sem dor,
de ser que toca em tudo sem sentir.
A ti me entrego toda,
quando no meu espírito murmuras ...
Sem cataclismos.
Em jubilosos misticismos...


Isabel M.P.F- Bea

domingo, 2 de agosto de 2015

Aeminium




O Mondego  já madrugara,
ainda Aeminium não bulia.
Chamaram-te Aeminium
antes de chamar Coimbra.

Nesta terra não sinto melancolia!
Para mim briosa,
tens mais do que essa categoria.
Cedes-me uma alegria miraculosa.

Na cidade perpetuamente amada.
Viver aqui torna-nos especiais.
A Universidade mais antiga do país.
Uma obra Registada.

A cidade dos gentis.
Marco histórico de Portugal.
Que calcorreio calada.
A minha cidade ideal.

Cosmopolita, Cosmopolita.
Circulo na tua órbita…
Tudo o resto é frugal.

Aeminium que madrugas,
 nas reminiscências de um flume.
Sem sucumbir às mudanças…

Passas incólume.
Presenteias-nos com diferentes
sossegos evidentes.

Quintessência de todos
 e quaisquer seres.
Tudo o mais é fugaz…

Só os confortos são infindos,
nas inovações dos que tomaram posse.
No traçado fizeram-te cócegas…

Até que um sorriso no nosso rosto se instalasse
Com as novas tatuagens,
Com as novas personagens.

Com a passagem dos anos…
Alteraram-se as tuas margens,
assim como se alteram os humanos.

À sombra da estátua
de Joaquim António de Aguiar.
Ofertaram-te posterioridade e adornos.
O teu âmago inovado.
Feixe luminoso coerente

que nos há-de sempre perpetrar.



Isabel M.P.F- Bea

sábado, 1 de agosto de 2015

Regurgito vacuidades

Deslembro-me de partes do passado,
vivendo o agora, aonde me acamo neste prado,
De palavras ocas, aonde regurgito vacuidades…
Até me atolar numa piscina de iniquidades,
Que deixe patente… Toda a minha acerbidade!
Atolar-me até que um sorriso venha aqui aflorar
e me faça esquecer ,que já vi na constelação,
um Centauro, um Pavão e até um Dragão!
Mas nunca ali vi Unicórnios!
Sinto um gozo espontâneo, ao exorcizar
todos os meus demónios!
Daqui para a frente, mais nada me soará deprimente
E eu serei só como o poente.
Neste regurgitar de vísceras deslembro-me da emoção
e vivo este momento, onde faço uma divisão,
Com uma lâmina romba …E metade de mim é qualquer coisa
e a outra metade é uma coisa qualquer!
Depois do regurgitar começo-me a erguer
E daqui a pouco, serei novamente a que simplesmente
se está a borrifar
A que se deslembrou partes do passado e vive o presente!
A que se está totalmente…
A marimbar!



Isabel M.P.F- Bea