domingo, 31 de maio de 2015

Aparente

Tanta é a tua magnificência…!
 Tanta pompa! -Tanta.
E eu olho para o que vejo e falta-me paciência!
Tanta é a tua magnificência…!
 Tanta pompa! -Tanta. 
Tanta que tudo o que me assola é a falta de ânsia…!
 Tanto fausto. – E eu que só tenho insignificância.
Nestes ínvios trilhos dos pensamentos tétricos.
Nem a tua sumptuosidade nos enleva.
Nem sequer a carga d’água de palavras
que teima em importunar
em forma de iniquidade oca.
Tanta - Tanta é a tua magnificência
que corro o risco de acabar mouca!
E tanta é a minha insignificância
que corro o risco de ficar atarantada
no meio da convivência pacífica e perfumada!
No meio de tanta destreza
falta a coerência sem contradições.
Sacio a minha natureza…
Parodio-me de forma visível.
Parodio-me como inflexível.
Sou criteriosa a atulhar o meu inconsciente
Sigo a metodologia que aprendi – Mostro-me ciente
Longe dos desequilíbrios e dos desequilibrados.
Distante de estares fastidiosos.

Enceto um atalho para possíveis mais ou menos grandiosos.


Isabel M.P.F

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Continuar



Avivada unicamente pela tua chama
que no meio do breu me continua a alumiar
Feliz daquele que não ama!...
Que não vive do amor mas da sua fama...
Que não precisa de beijos – Toques – Ou afagos,
Que vive sem qualquer drama!
Que não traz no pensamento aquele que ama!...
Que não precisa de presença ou companhia...
Continuar... Agora sem magias ou magos!
Continuar agora sem esta anomalia…
Continuar para fora de um tempo em debandadas,
De uma quimera fugidia...
Largam-se as mãos que já estiveram dadas!
Continuar no que é admissível
Continuar agora na apatia...
Na firme convicção que chega do que é impossível.
Continuar!...Agora sem pulsar.

Continuar!...Agora sem amor ou amar...

Isabel M.P.F

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Existir

Existir : Como arrojada…
Não querer saber do amor ou se sou amada!
Quebrar o grilho desta corrente
num desdizer de demente
Que não quer saber!
Que não sente e só se sabe rir…
Que não quer saber!
Existir : simplesmente existir
Como um qualquer vegetal,
uma fruta, flor, ou um qualquer animal,
sem afogos do pensamento .
 Existir: Num céu-aberto;
Livre da dor deste instante
De estar longe ou perto!
Sem apegar-me – Ou apegos!
Alheada dos sonhos que me tornam néscia e sombria,
Existir- Num estado festivo de criança que brinca com legos!
Nunca olhar em meu torno
Nunca descobrir como tudo pode ser tristonho.
Não querer saber se preciso ir ou ficar!
Jubilar unicamente por existir…
Existir: Sem me voltar a preocupar.

Existir: Simplesmente existir.

Isabel M.P.F

terça-feira, 19 de maio de 2015

Agnóstica

No meão de tanto aparente…
Retorno a este entretenimento
enquanto alinho o pensamento
com o que ficou evidente.
Enquanto tento ajeitar a condolência no meu interior
e cato os fragmentos ao meu redor
do que é inaparente!
Enquanto tento esquecer a desventura de mais um contratempo
que ainda aqui ambulará… Mas não durará eternamente.
Por mim desocuparia já este sentimento em forma de emplastro
só me vai contundir e nada escora já este mastro!
Mas não tenho como o fazer. – É assim o meu presente.
Despreparada para mais um aguaceiro
não sei porque escolhi enfiar-me por este carreiro…
Que me lacerou o espírito e me tornou neste lamento.
Afianço a mim mesma que um dia o verei como um qualquer nevoeiro.
Que se ergueu
e desapareceu
assim como se achegou.
Mas por agora continua aqui e o pesar é tão veemente
que me torna microscópica.
Daqui para a frente serei a agnóstica!
Daqui para frente viva para sempre o aparente!

Isabel M.P.F.