segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Abrigo

Amamentei monumentos de dor.
Escassos de recursos, dobrador.
Genuínas monstruosidades
orladas pelas minhas lealdades
que nunca ninguém irá vistoriar.

Estou tão distante do olhar
que me carrego no único local
onde jamais alguém poderá espreitar.
Tenho gritos mudos neste arsenal

a conduzir cada palavra que aqui vou depositar.

Fitas-me enternecido. Sem temeres o meu receio.
A esse te mostras alheio. 
Despojo-me da armadura e embarco contigo
nesse brando olhar. Onde esvoaça a esperança
de ali existir um espaço. Um abrigo
onde me posso derramar.
- A tempestade aqui não te pode assolar.
Almejas a utopia. - As dores podem-se avassalar!

Eu que estou apinhada de angústia e quebrantos.
Nada mais que escombros dos meus lamentos.
Eu que só persigo a quietação…
Atiro o meu título ao chão.
 Mais convicto, voltas a murmurar:
- A tempestade aqui não te pode assolar!

Be A- Isabel M.P.F.


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