No limiar da saudade que não deixo transparecer.
No patamar da saudade que não devo mostrar.
Modelo daquilo que não se deve sentir nem ser.
Se em vez de saudade, só vertesse melancolia…Como seria?
E se eu fosse outra coisa, o que seria?
Não há como me desmascarar.
É toda minha a saudade, é toda minha a autoria.
Desta anteface, sou eu a senhoria.
No princípio da putrefacção
mobilizo toda a determinação,
para afastar a saudade.
Um sismo descomunal desloca um alicerce
antes que o meu universo seja cortado cerce
guardo-me numa qualquer concavidade.
Emigro para o espaço desta composição.
Transcrevo-me por aqui num gesto de resignação.
Uso palavras matizadas ou sem cores.
Onde confidencio até as minhas dores.
Procuro subestimar a toxicidade
da malvada da saudade!
Negativo alvidramento da realidade.
Tornada em esmeril.
Pela saudade atormentada.
Seixos polidos num barril.
Nunca mais acaba Janeiro e chega Abril.
Procuro uma explicação para a malvada
no invólucro duro e espinhoso de desalinhada.Be A - Isabel M.P.F.