Não quero saber se nas mãos tenho muito ou pouco.
Não quero saber se me chamam empertigada ou recatada,
acho até graça a ser a que nunca foi ousada.
O meu espírito já não quer suspirar, já não quer sentir como
um louco.
Tudo o que penso seja muito ou pouco…
Não passa de um reflexo pensando sem fervor.
Sei que serei a que pensou muito ou pouco.
A que pensou e viveu. A que pensou e morreu.
A que chegou tão perto de ter um pensamento louco.
Serei a que foi hipócrita com a vontade.
A que descobriu que o seu pior inimigo
era ela e que nunca escolheria o perigo
de viver com a saudade.
Serei a que sem nunca ter sonhado,
sonhou todos os sonhos do mundo e que o fez sem pensar.
A que olhou os outros com alegria mas também pesar.
Serei a que amou sem a terem amado.
Serei a que moeu os tormentos,
a que nunca pensou, mas teve milhões de pensamentos.
Serei talvez a que viveu feliz e abastada.
A que viveu só, mas também viveu acompanhada.
Serei a que viveu pobre e mal-amada.
A que tratou a esperança por tu e a mudança por você
e que nunca quis saber se era doce ou amarga.
Serei a que nunca quis saber se tinha muito ou pouco.
Mas a que quis tudo e que descobriu que o seu coração
sabia querer como um
louco.
Não quero saber se nas mãos tenho muito ou pouco.
Não quero saber se me chamam empertigada ou recatada.
Acho até graça a ser a que nunca foi ousada.
O meu espírito já não suspira, já nem sente como um louco.
Isabel M.P.F. - BeA.
Sem comentários:
Enviar um comentário